Há pessoas que chegam como paisagens. Não fazem barulho, não anunciam a própria presença; apenas surgem no horizonte e, de repente, tudo parece diferente. Penso numa antiga deusa dos vulcões, filha dos Andes e dos ventos austrais, carregando nos cabelos o brilho do magma ao entardecer. Seu fogo não destrói: aquece. Sua força não intimida: ilumina. Como um sol latino escondido entre montanhas, parece guardar dentro de si uma energia silenciosa capaz de transformar tudo ao redor.
Talvez seja por isso que os vulcões sempre me pareceram tão fascinantes. À distância, revelam apenas a superfície: encostas tranquilas, formas delicadas, uma beleza quase serena. Mas quem observa com atenção percebe que existe um mundo inteiro sob a rocha, uma profundidade difícil de alcançar. Há calor, movimento, histórias antigas e mistérios que não se entregam facilmente. Algumas pessoas também são assim. Não se deixam compreender de imediato; exigem paciência, respeito e a disposição sincera de permanecer.
Às vezes me pego tentando compreender os caminhos desse fogo discreto. Nem sempre consigo. Existem silêncios que ainda não aprendi a traduzir e muralhas cuja entrada ainda não encontrei. Mesmo assim, continuo admirando a paisagem. Há algo de belo em não possuir todas as respostas. Há algo de especial em caminhar devagar, observando cada detalhe, como quem estuda uma formação geológica rara sem a pretensão de decifrá-la por completo.
Enquanto sigo meu caminho, levo comigo a sensação de que alguns encontros deixam marcas semelhantes às das erupções antigas: transformam o relevo, alteram o curso dos rios e permanecem registrados muito depois de o fogo desaparecer da superfície. Talvez certas pessoas sejam exatamente isso vulcões adormecidos que carregam luz suficiente para aquecer o mundo de alguém sem sequer perceber. E talvez a maior beleza não esteja na erupção em si, mas na espera silenciosa por um dia em que esse calor encontre, enfim, um lugar onde possa repousar.

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